ARTE-EDUCAÇÃO

EDUCATIVO COMO PROGRAMA PÚBLICO: PROPOSIÇÕES EDUCATIVAS EM ESPERA
[EXPOSIÇÃO VIRTUAL "PROJETO TIRANTE", MUSEU DE ARTE DO ESPÍRITO SANTO - MAES, VITÓRIA/ES, 2021]

Espera tratou-se de uma curadoria educativa desenhada por Amanda Amaral e Lindomberto Ferreira Alves, em colaboração com es artistas que integram o projeto Tirante (Anton Steenbock, Clara Sampaio, Felippe Moraes, Fredone Fone, Marcelo Venzon e Raquel Garbelotti), e es pesquisadores convidades Gabriela Leandro Pereira, Juan Gonçalves, Mauro Neri, Rebeca Ribeiro, Ricardo Basbaum e Thiara Pagani. Aposta que mobiliza um convite processual à atenção, uma solicitação à espera. Um modo singular de explorar o exercício curatorial no âmbito dos processos educativos não a partir de um circuito cognitivo determinado; mas, sim, de circuitos abertos às instâncias e dimensões processuais do seu constructo. Nesse sentido, convidamos todes a se debruçarem, aqui, em experiências heterogêneas de aprendizagem onde a educação seja encarada efetivamente como um programa público. Em outras palavras, onde todxs se sintam responsáveis em contribuir poética e criticamente para a educação como prática que, fundamentalmente, explore o compartilhamento de uma polifonia de repertórios, lugares de fala e visões de mundo.


ALVES, Lindomberto Ferreira & AMARAL, Amanda. Educativo como programa público: proposições educativas em espera. In: Exposição virtual "PROJETO TIRANTE" - Arte-educação. Exposição coletiva - Artistas: Clara Sampaio (ES), Felippe Moraes (RJ/SP), Raquel Garbelotti (SP/ES), Anton Steenbock (Alemanha), Marcelo Venzon (ES/SP) e Fredone (ES). Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES), Vitória/ES, Brasil. 

CRÍTICA DE ARTE

DO ESCURO DO NOSSO TEMPO: OU, SEIS NOTAS SOBRE COMO SOBREVIVER AO TEMPO DO "FIM" EM "BUCÓLICO MARGINAL" (2020), DE ESTHER ALMEIDA E LUIS MARIA                           [JORNADA ABCA 2020]

Resumo: O presente ensaio levanta algumas reflexões pontuais sobre o tempo corrente. Para tanto, toma-se, aqui, como mola propulsora os registros imagéticos e discursivos que compõem a série "Bucólico Marginal" (2020), des artistes Esther Almeida e Luis Maria - que vieram a público recentemente através da exposição virtual "Do escuro do nosso tempo". Flertando com diferentes linguagens estes artistes expõem em seus trabalhos uma tendência pulsional em operar uma poética autobiográfica, urdida no entrecruzamento da escuta aos processos cotidianos com suas próprias narrativas de vida. A série em questão é composta por 10 fotografias produzidas a partir de imagens-correspondências trocadas entre Esther Almeida e Luis Maria durante os meses iniciais da pandemia de COVID-19, entre maio e junho, num deslocamento des artistes de volta para suas cidades de origem. Nesses termos, se por um lado este texto traz para o campo do visível e do dizível uma reflexão sobre as possibilidades de experimentações artísticas na atualidade e seus desdobramentos nos processos de criação, produção e circulação em tempos de refreamento social; por outro, ao trazer para o cerne da visualidade registros de Esther Almeida e Luis Maria que manifestam e condensam reflexões estéticas, sociológicas e subjetivas em torno do tempo que vivemos, este texto se constitui como uma oportunidade para pensarmos duas questões que se apresentam como urgentes quando o tempo vivido assume as dimensões do mundo: como viver o tempo que vivemos? Ou, ainda, sendo este, o tempo que vivemos, o tempo do "fim" - para não perder de vista os ultimatos do pensamento indígena contemporâneo, em autores como Davi Kopenawa e Ailton Krenak - como sobreviver a ele? Longe de qualquer pretensão em respondêlas, nossas reflexões buscam lembrar, ao modo de Esther Almeida e Luis Maria, que se faz urgente "seguir se aventurando nesse fim de mundo. O nosso fim do mundo".

Palavras-Chave: Tempo. Arte Contemporânea. Isolamento Social. Pandemia.


ALVES, Lindomberto Ferreira & AMARAL, Amanda. Do escuro do nosso tempo: ou, seis notas sobre como sobreviver ao tempo do "fim" em Bucólico Marginal (2020), de Esther Almeida e Luis Maria. In: Jornada da Associação Brasileira de Críticos de Arte 2020 | Resistências Poéticas: Arte, Crítica e Direitos Humanos, 2020, Itabuna. Anais da 61ª Jornada da Associação Brasileira de Críticos de Arte | Resistências Poéticas: Arte, Crítica e Direitos Humanos. Itabuna: UFSB, 2020, p. 152-159.

LIVRO-OBJETO-BRINQUEDO (2020), DE MARA PERPÉTUA
[REVISTA MANUSCRÍTICA, USP, 2020]

Resumo: Fac-simile comentado dos registros da série Livro-brinquedo-objeto (2020), da artista Mara Perpétua. 

Palavras-Chave: Mara Perpétua. Arte contemporânea. Cidade. Isolamento social. Pandemia.


ALVES, Lindomberto Ferreira Alves. Livro-objeto-brinquedo (2020), de Mara Perpétua. In: Revista Manuscrítica (USP). São Paulo/SP, v. 01, n. 41, p. 101-104, dez. 2020.

EXPOSIÇÃO VAIVÉM (2019-2020), COM CURADORIA DE RAPHAEL FONSECA
[REVISTA PORTO ARTE, UFRGS, 2020]

Resumo: A resenha perscruta aspectos da exposição Vaivém (2019-2020), de curadoria do historiador da arte Raphael Fonseca, cujo projeto curatorial vem operando, por aproximações e embates, um embalo reflexivo sobre as relações entre as representações iconográficas das redes de dormir e suas finalidades discursivas na constituição das noções de identidade brasileira, do século XVI à contemporaneidade.

Palavras-Chave: Exposição Vaivém. Redes de dormir. Imagem. Raphael Fonseca. Curadoria.


ALVES, Lindomberto Ferreira Alves. Exposição Vaivém (2019-2020), com curadoria de Raphael Fonseca. In: Revista Porto Arte (UFRGS). Porto Alegre/RS, v. 25, n. 43, p. 1-14, jan.-jun. 2020.

RIPOSATEVI
[REVISTA CONCINNITAS, UERJ, 2020]

Resumo: Resenha da remontagem da exposição Riposatevi, de Lucio Costa, no MAC Niterói-RJ, com curadoria de Raphael Fonseca e Pablo León De La Barra.

Palavras-chave: Exposição Riposatevi. Lucio Costa. Redes de dormir. Curadoria.


ALVES, Lindomberto Ferreira. Riposatevi. In: Revista Concinnitas (UERJ). Rio de Janeiro/RJ, v. 21, n. 38, p. 461-469, mai. 2020.

DORMINHOCOS
[REVISTA ARTE & ENSAIOS, UFRJ, 2020]

Resumo: Resenha da exposição Dorminhocos, com 98 fotografias da série homônima de Pierre Verger, com curadoria de Raphael Fonseca.

Palavras-chave: Exposição Dorminhocos. Pierre Verger. Fotografia. Raphael Fonseca.


ALVES, Lindomberto Ferreira. Dorminhocos. In: Revista Arte & Ensaios (UFRJ). Rio de Janeiro/RJ, v. 26, n. 39, p. 259-265, jan.-jun. 2020.

A IMOBILIDADE NA PRODUÇÃO E O QUE ISSO DIZ SOBRE OS ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS
[GALERIA HOMERO MASSENA, VITÓRIA/ES, 2020]

Resumo: A partir das obras "La chambre" (1972), de Chantal Akerman, e "Hotel Wolfers" (2007), de Dora Garcia, o texto propõe algumas reflexões sobre a produção em arte pautada pelo recolhimento. Elabora-se que a aparente inércia física provocada pela pandemia da COVID-19, entrecruzadas as obras acima mencionadas, sugere não uma paralisação estética, mas, outro tipo de mobilidade estética que conduz a olhares mais atentos ao cotidiano - olhar este que observa, investiga e examina o habitual para estruturar a espacialização do porque e como produzimos imagens. O que ocorre quando a rotina é quebrada e como, sobretudo o corpo se comporta à medida que somos, por uma ou outra causa, levados ao recolhimento?

Palavras-chave: Imagem. Arte Contemporânea. Filme-ensaio. Isolamento Social.


AMARAL, Amanda & ALVES, Lindomberto Ferreira. A imobilidade na produção e o que isso diz sobre os artistas contemporâneos. In: Fórum da Imagem: Construção de Imagens Urgentes. 2020. Galeria Homero Massena. Vitória/ES. Brasil.

FURTACOR
[REVISTA ARTE CONTEXTO, PORTO ALEGRE/RS, 2019]

Resumo: O presente texto problematiza o lugar ocupado pelo sujeito lançado à condição de mediador cultural, estabelecendo, pelo viés estético, uma autocrítica sobre os processos em arte-educação em disputa na contemporaneidade.

Palavras-chave: Arte Educação. Arte Contemporânea. Mediação Cultural. Furtacor.


ALVES, Lindomberto.Ferreira & AMARAL, Amanda. Furtacor. In: Revista Arte ConTexto. Porto Alegre/RS, v. 6, n. 16, dez. 2019.

NOTAS INFERENCIAIS SOBRE O ENCARGO E AS DIRETRIZES POÉTICAS EM "O JARDIM" DE RUBIANE MAIA
[REVISTA POIÉSIS, UFF, 2019]

Resumo: Apoiada na crítica inferencial do historiador da arte galês Michael Baxandall (2006), em especial nas noções de encargo e diretriz por ele formuladas, trata-se, aqui, de uma resenha crítica da performance O Jardim (2015), da artista multimídia contemporânea brasileira Rubiane Maia, obra que integrou a exposição retrospectiva da artista sérvia Marina Abramović, intitulada "Terra Comunal - Marina Abramović + MAI", aberta à visitação de março a maio de 2015, no Sesc Pompeia, São Paulo/SP, Brasil.

Palavras-chave: Rubiane Maia. O Jardim. Performance. Arte Contemporânea Brasileira. Crítica Inferencial.


ALVES, Lindomberto Ferreira. Notas inferenciais sobre o encargo e as diretrizes poéticas em "O Jardim" de Rubiane Maia. In: Revista Poiésis (UFF). Niterói/RJ, v. 20, n. 33, p. 437-452, jan./jun. 2019. 

RETIRA-SE
[CATÁLOGO EDUCATIVO DA EXPOSIÇÃO "A MARÉ DA VIDA", DE ERCÍLIA STANCIANY. CENTRO CULTURA SESC GLÓRIA/ES, 2018]

Resumo: Resenha da exposição A maré da vida (2018), da artista Ercília Stanciany, realizada no Centro Cultural SESC Glória/ES.

Palavras-chave: Exposição A Maré da Vida. Ercília Stanciany. Gravura. Arte e Vida. Centro Cultural SESC Glória/ES.


ALVES, Lindomberto Ferreira. Retirar-se. In: Notações: Catálogo educativo da exposição "A Maré da Vida", de Ercília Stanciany. Vitória: Centro Cultura SESC Glória/ES, 2018, p. 11-12.

CURADORIA

MULHERES ARTÍSTAS NO ACERVO DA UFES (2021)

"É com uma reflexão sobre a ativação da memória e a escrita das histórias que a exposição "Mulheres Artistas no Acervo da Ufes" começa a ser pensada. [...] Esta curadoria se dedica, então, a pesquisar nas mostras realizadas exclusivamente por artistas mulheres. Essa escolha manifesta-se diante da urgência de repensar a pluralidade da História da Arte brasileira sob perspectivas inclusivas de gênero e raça. Nesse contexto, emerge a indagação de como as histórias das exposições realizadas na Gaeu podem nos ensinar sobre o mundo a partir de pontos de vista dessas artistas. [...] Em "Mulheres Artistas no Acervo da Ufes", propõe-se pensar as memórias das exposições de forma rizomática, assim como privilegiar a multiplicidade e a subjetividade das lembranças. Espera-se dar a ver histórias no plural, assim como ressaltar a importância de sua constante retomada. As obras e as exposições recordadas aqui constituem uma defesa do desejo de um futuro mais igualitário e um chamado para que cada vez mais as instituições possam abrir seus acervos para mulheres, pessoas trans, indígenas, negras e negros." 

Por Ananda Carvalho (Curadora Geral da Exposição).

Ananda Carvalho, Lindomberto Ferreira Alves, Igor Degobi, Jéssica Dalcolmo, Lília Pessanha, Michele Medina, Larissa Megre, Danielly Tintori e Ludiane Reinholz. Exposição Virtual Mulheres Artistas no Acervo da UFES (2021), exposição coletiva com Charlene Bicalho, Luara Monteiro, Tatiana Rosa, Thais Apolinário, Andrea Abreu, Mara Perpétua, Rosana Paste, Thais Graciotti, Marcia Capovilla, Simone Guimarães, Nelma Maria Pezzin, Célia Ribeiro, Elisa Queiróz, Lara Felipe, Juliana Morgado, Nelma Guimarães, Tomie Ohtake, Lygia Pape, Fayga Ostrower, Denise Rodrigues Pimenta, Marta Baião Seba e Neusa Mendes. Múltiplas linguagens. Dimensões variáveis. Exposição Virtual Mulheres Artistas no Acervo da UFES (2021) - Mostra de Artes Visuais. Galeria de Arte Espaço Universitário - GAEU/UFES. Vitória/ES. Brasil. 

LIMBO | EXPERIMENTAÇÕES EM TEMPOS PANDÊMICOS (2021)

Com curadoria de Amanda Amaral e LindombertoFerreira Alves, a mostra teve o objetivo de compartilhar com o público mais abrangente um pequeno recorte da produção des artistas Igor Degobi (RJ/ES), João Vitor Soares (ES), Josélia Andrade (BA/ES), Mara Perpétua (ES), Maria Ramos (MG/ES), Marina da Silva (SP), Pedro Lima Santos (SP), StéfaniAgostini (RS) e Vivian Siqueira (ES), durante a pandemia provocada pela COVID-19, a fim de confrontarmo-nos com algumas das linhas de força poética, ético-estética e sócio-política que perfizeram, e ainda perfazem, os processos de criação por eles mobilizades, desde março de 2020. Dividida em três núcleos, a exposição percorre, de modo sequencial, os trabalhos produzidos por cada um desses artistas em diferentes momentos do isolamento social - correspondentes, respectivamente, aos estágios inicial, intermediário e atual da pandemia. Núcleos que, no seu conjunto, permitem-nos cotejar as transformações dos deslocamentos poéticos trilhados em tempos pandêmicos, no âmbito dos percursos de suas pesquisas artísticas e de seus processos criativos. A exposição foi um desdobramento da formação artístico-cultural "LIMBO | Laboratório de Investigações de Processos Criativos em Tempos Pandêmicos", uma realização do duo FURTACOR, financiada com recursos do Edital de Chamamento Público nº 005/2020 de Seleção de Proposta de Apresentação e Formação Artístico-Cultural - Lei Aldir Blanc | Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória (SEMC-PMV).

Amanda Amaral & Lindomberto Ferreira Alves. Exposição Virtual Limbo | Experimentações em tempos pandêmicos (2021), exposição coletiva com Igor Degobi, João Vitor Soares, Josélia Andrade, Mara Perpétua, Maria Ramos, Marina da Silva, Pedro Lima Santos, StéfaniAgostini e Vivian Siqueira. Múltiplas linguagens. Dimensões variáveis. Exposição Virtual Limbo | Experimentações em tempos pandêmicos (2021) - Mostra de Artes Visuais. Instagram do duo FURTACOR. Vitória/ES. Brasil. 

FÓRUM DA IMAGEM - CONSTRUÇÃO DE IMAGENS URGENTES (2020)

O projeto se desenvolveu, em sua primeira etapa, por produção crítica textual de artistas/pesquisadores selecionados por meio de chamamento público para submissão de artigos. Foram seis autores que apresentaram cinco textos discutindo questões pertinentes da produção da imagem fotográfica no contemporâneo. Com isto posto, propôs-se uma dinâmica de interação e correspondência, em que artistas enviaram suas imagens que respondem, de certa forma, ao tema discutido pelos artigos. A seleção das imagens aconteceu por etapas, em que os autores dos textos críticos selecionados foram os responsáveis pela curadoria juntamente com a Coordenação da Galeria Homero Massena (GHM), Vitória/ES, Brasil. O acúmulo de imagens pretendeu dialogar de forma direta com os conteúdos propostos publicados periodicamente, estimulando, assim, a reflexão crítica por meio de texto e leitura de imagens. Todo material encontra-se em processo de compilação e publicação, através do catálogo do Fórum da Imagem GHM - Construção de Imagens Urgentes, referente ao Programa de Pesquisa e Formação 2020, da Galeria Homero Massena, contendo os textos críticos e as imagens enviadas. O texto de autoria do duo FURTACOR, intitulado "A imobilidade na produção e o que isso diz sobre os artistas contemporâneos", recebeu imagens dos artistas: Ana Luíza Pio (ES), Camila Beatriz (GO), Carol Muñoz (ES), CASÜ (ES), Charles Cunha (MG/SP), Duda Viana (BA/SP), Gabi Faryas (RS), Gabriel Lordêllo (ES), Heitor Andrade (ES), João Vitor Soares (ES), Larissa Godoy (ES), Leonardo Sousa (MT/SP), Liliana Sanches (ES), Marcos Martins (CE/ES), Maria (MG/ES), Powllak (ES) e Rebecca França (ES).

Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral. A imobilidade na produção e o que diz sobre os artistas contemporâneos (2020), exposição coletiva com Rebecca França, Duda Viana, Heitor Andrade, Leonardo Sousa, Carol Muñoz, CASÜ, Camila Beatriz, João Vitor Soares, Charles Cunha, Liliana Sanches, Maria, Marcos Martins, Gabriel Lordêllo, Gabi Faryas, Larissa Godoy, Powllak e Ana Luíza Pio. Fotografia. Dimensões variáveis. Fórum da Imagem GHM - Construção de Imagens Urgentes (2020) - Mostra de Artes Visuais. Galeria Homero Massena. Vitória/ES. Brasil. 

DO ESCURO DO NOSSO TEMPO (2020)

"Do escuro do nosso tempo" apresenta a série fotográfica intitulada Bucólico Marginal (2020), de Esther Almeida e Luis Maria. Artistas que flertam com diferentes linguagens e expõem em seus trabalhos uma tendência silenciosa, mas não por isso menos pulsional, em operar uma poética autobiográfica, urdida no entrecruzamento da escuta aos processos cotidianos do 'tempo vivido nas dimensões do mundo' - para falar como Friedrich Hölderlin - com suas próprias narrativas pessoais de vida. Esta exposição perscruta, junto a estes jovens artistas, as possibilidades de experimentações artísticas em tempos de refreamento social e seus desdobramentos nos processos de criação, produção e circulação em âmbito virtual. Entretanto, indo um pouco mais além, ao trazer para o cerne da visualidade registros de Esther Almeida e Luis Maria - que manifestam e condensam reflexões estéticas, sociológicas e subjetivas em torno do tempo que vivemos - a mostra "Do escuro do nosso tempo" se constitui como uma oportunidade para pensarmos duas questões que parecem ser urgentes quando o tempo vivido assume as dimensões do mundo: como viver o tempo que vivemos? Ou, ainda, sendo este, o tempo que vivemos, o tempo do "fim" - para não perder de vista os ultimatos do pensamento indígena contemporâneo, em autores como Davi Kopenawa e Ailton Krenak - como sobreviver a ele? Reune-se, aqui, 10 fotografias - acompanhadas ou não por pequenos textos - que juntas compõem a série Bucólico Marginal (2020), elaboradas nos meses de maio e junho de 2020 e, cujo desenvolvimento é instaurado no contexto de quarentena provocada pela COVID-19. Assim, se através da série Bucólico Marginal (2020), Esther Almeida e Luis Maria nos lembram que é preciso "atrever a criar moradas nas contradições"; "Do escuro do nosso tempo" tem por objetivo sublinar: é urgente "seguir se aventurando nesse fim de mundo. O nosso fim do mundo". Essa exposição acontece como parte da ação Curadoria em rede, realizada pela Plataforma de Curadoria, e está disponível no site e no instagram da Plataforma.

Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral. Do escuro do nosso tempo (2020), exposição individual de Esther Almeida & Luis Maria. Bucólico Marginal (2020). Fotografia/Texto. Dimensões variáveis. Mostra Virtual de Artes Visuais. Plataforma de Curadoria (UFES). Vitória/ES. Brasil. 

NO TEMPO DA ESPERA (2020)

Com curadoria de Lindomberto Ferreira Alves, "No tempo da espera" apresenta um recorte da produção recente da artista Mara Perpétua. Em 2020, Mara completa 30 anos de produção silenciosa e impactante. Nela, o desenho é agenciado a diferentes linguagens, quase sempre inquirindo a dimensão do efêmero como instância que conduz à construção de sua poética. A partir do olhar da artista, esta exposição perscruta as possibilidades da arte se manifestar em tempos de espera e de virtualidade, bem como seus impactos nos processos de criação, produção e circulação do saber-fazer artístico na atualidade. Reunimos, aqui, registros de sete dos 11 dispositivos objetuais manipuláveis, que compõem a série Livro-brinquedo-objeto - produção iniciada em janeiro de 2020, intensificada em virtude da quarentena provocada pela COVID-19.  Segundo a artista, foi "contemplando essa cidade que iniciei uma série de recortes e colagens, recolhido dos descartes anônimos. Os cortes de papelão, em diferentes gramaturas, imprimem a repetição, a geometria e a angulação, tal qual se vê pela janela". Foi com palavras, formas e colagens para o jogo lúdico, em criações bi ao tridimensional, empilhando a matéria e as lâminas móveis, como páginas, que Mara buscou "um olhar em sequência com entradas sem saídas - como paisagens labirínticas - a serem manipuladas e degustadas como imagem/poesia, devaneio para um respiro nesse tempo".  Acessar a esses registros é como se debruçar sobre as janelas de Mara. A curadoria aqui nos propõe uma mediação para inquietações da artista sobre o tempo presente. A artista indaga: "Uma janela estranha, um tempo que se arrasta lento. Silêncio, a cidade adormece?" Essa exposição acontece como parte da ação Curadoria em rederealizada pela Plataforma de Curadoria, e está disponível no site e no instagram da Plataforma.

Lindomberto Ferreira Alves. No tempo da espera (2020), de Mara Perpétua. Livro-brinquedo-objeto (2020). Recorte, colagem e desenho em papelão. Dimensões variáveis. Mostra virtual de artes visuais. Plataforma de Curadoria (UFES). Vitória/ES. Brasil.

GRADUARTES 2019: LIMIARES LABIRÍNTICOS (2019)

Com curadoria de Ananda Carvalho, Marcos Martins, Lindomberto Ferreira Alves, Flavia Dalla Bernardina, Jessica Dalcolmo, Lília Pessanha e Daniel Hora, a exposição coletiva "Graduartes2019 - Limiares Labirínticos" foi composta por obras de 31 estudantes concluintes dos cursos de Artes Plásticas e Artes Visuais, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). A mostra teve como tema Limiares Labirínticos e apresentou ao público desenhos, fotografias, instalações, pinturas, performances, vídeos e objetos. A temática Limiares Labirínticos sugere uma reflexão sobre questões formais e conceituais que se ressaltam nos trabalhos. tendo como objetivo dar visibilidade para a pesquisa e para a produção artística dos estudantes.

Ananda Carvalho, Marcos Martins, Lindomberto Ferreira Alves, Igor Degobi, Flavia Dalla Bernardina, Jessica Dalcolmo, Lília Pessanha, Daniel Hora Ana Poubel, Jefferson Sarmento, Luiz Will Gama, Marcos Graminha . Graduartes2019: Limiares Labirínticos (2019). Mostra de Artes Visuais, linguagens variadas. Galeria de Arte e Pesquisa (GAP-UFES). Vitória/ES. Brasil.

I MOSTRA NACIONAL DE AUDIOVISUAL ES: HÁ UM LUGAR PARA A ARTE? (2019)

Com curadoria de Lindomberto Ferreira Alves e Jessica Dalcolmo, a primeira edição da mostra se constitui e ganha materialidade a partir dos olhares de 28 artistas convidados, atentos ao poder inquietante e provocador que a explosão da obra na vida tem promovido ao fazer artístico na condição histórica do presente. A mostra integrou a programação artístico-cultural do VII COLARTES 2019, e em linhas gerais propôs extrapolar as discussões puramente acadêmicas, acolhendo e incorporando aos eixos estruturantes desta edição do evento, outros espaços para se inquirir sobre a questão peremptória e nada circunstancial: há um lugar para a arte?. Em sua primeira edição, a Mostra Nacional Audiovisual ES: Há um lugar para a arte? contou com a participação de: Alexandre Sequeira (PA), Amanda Amaral (ES), André Arçari (ES), Cao Guimarães (MG), Castiel Vitorino Brasileiro (ES), Diego Nunes (ES), Erly Vieira Jr (ES), Fernando Ribeiro (PR), Gabriela Caetano (SC), Geovanni Lima (ES), João Victor Coser (ES), Marcos Martins (CE), Marcus Vinícius (ES), Mariana Teixeira Elias (SP), Mavi Veloso (SP), Miro Soares (MG) & Bruno Zorzal (ES), Mônica Nitz (ES), Natália Farias (ES) & Reyan Perovano (ES), Natalie Mirêdia (ES), Paulo Bruscky (PE), Rafael Segatto (ES), Rebeca Ribeiro (ES), Rubiane Maia (ES) & Renata Ferraz (SP), Shima (SP) e Wagner Rossi Campos (MG). A mostra se constituiu como um trampolim para o confronto com a própria experiência estética, em especial a do campo audiovisual, meio profícuo de ampliação e complexificação sobre as múltiplas formas de se discutir a arte na contemporaneidade. Sua finalidade foi de apresentar ao público capixaba um pequeno recorte da produção em audiovisual de artistas e pesquisadores com projeções nacional e internacional, que buscam, cada um à sua maneira, não só uma inflexão sobre a nossa atualidade, como, também, uma contestação dos regimes de (in)visibilidade das relações sistêmicas da arte, conduzindo a afirmação de novas dimensões do estético.

Lindomberto Ferreira Alves & Jessica Dalcolmo, I Mostra Nacional de Audiovisual ES: Há um lugar para a arte? (2019), Mostra de Audiovisual, linguagens variadas. Cine Metrópolis, Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória/ES. Brasil.

ARTES VISUAIS

ACERVOS COMPARTILHADOS (2021)

Acervos compartilhados é parte integrante de uma pesquisa homônima que especula acervos íntimos de colecionadores locais, da Região Metropolitana de Vitória, Espírito Santo. O vídeo é ambientado no espaço interno de uma casa. Espaço-tempo em que a coleção se instaura e, também, esfera com a qual temos nos tornado cada vez mais íntimos, em tempos de refreamento social em virtude da pandemia do COVID-19. Abre-se, aqui, caminhos para percepções distintas sobre o cotidiano, deslocando junto à trajetória de câmera, objetos comuns e ordinários, a fim de ficcionalizar uma narrativa que conduza à possibilidades outras de partilhas do que é habitual, porém íntimo, privado e subjetivo. Entendendo, portanto, a prática da coleção não só como espaço de consagração, mas, também, como espaço de disputas, atritos e rupturas, este vídeo nos questiona: O que podemos fazer para que o espaço habitual se transfigure em lugar de provocação e questionamento, dando a ver outras dimensões do estético no vivido?

Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral, Acervos compartilhados (2021), Vídeo, Dispositivo Portátil, Dimensões Variáveis, Widescreen [cor] 4'04''. 3ª Edição da Mostra Videografias-Videografiasdo Convívio [NO PRELO], Galeria Homero Massena& TVE, Vitória/ES. Brasil, 2021.

REFERÊNCIAS (2020)

Trata-se de uma série experimental que traz para o cerne da visualidade reflexões de pesquisadores, autores, artistas e pensadores que atuam e operam suas práticas no entrecruzamento dos campos da arte e da educação. Referências para as experimentações e inflexões poéticas e estéticas do duo FURTACOR (Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral), o objetivo desta série é de colocar essas reflexões em diálogo, promovendo assim a construção de um texto fragmentário de finitude indeterminada. Visa-se, portanto, a instauração de uma conversa infinita cujo tom tem como horizonte a afirmação da arte em suas instâncias educativas e, consequentemente, a educação como práxis artística e transformadora. Este trabalho emerge a partir das ações do duo FURTACOR realizadas em seu perfil na plataforma Instagram.

Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral, Referências (2020), Texto, Dimensões Variáveis. Referências #1GONÇALVES, Juan. Sou artista enquanto mediador? Sou mediador enquanto artista? A mediação como prática artística em Vitória (ES). 2018. 136 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Artes Plásticas) - Departamento de Artes Visuais, Centro de Artes, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2018 | Referências #2 - CAMNITZER, Luis. Introdução. In: CAMNITZER, Luis; PÉREZ-BARREIRO, Gabriel. (org.). Arte para a educação / educação para a arte. Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul, 2009. p. 13-24 | Referências #3 - MÖRSCH, Carmen. Numa encruzilhada de quatro discursos. Mediação e educação na documenta 12: entre afirmação, reprodução, desconstrução e transformação. In: Periódico Permanente, n. 6, p. 1-32, fev. 2016.

OPACIDADE & TRANSPARÊNCIA (2020)

Trata-se de uma série em processo, composta tanto por imagens quanto por vídeos experimentais, cujo pano de fundo é mobilizado pela pesquisa "Acervos compartilhados", que perscruta e discute a prática da coleção de objetos (sejam eles artísticos ou não) circunscrita no ambiente íntimo e não institucional. Nesses termos, o vídeo "Opacidade & transparência" (2020) situa em perspectiva as questões do colecionismo e suas esferas sociais, culturais e políticas. Parte-se da ficcionalização de uma narrativa visual a respeito de outros olhares possíveis sobre o colecionismo, olhares que buscam exceder e desestabilizar o exercício de poder discursivo do colecionismo atrelado ao contexto das políticas macroestruturais do sistema da arte. Ao dispor em primeiro plano um objeto que prefigura e demarca a contagem e a passagem do tempo, provocamos a visualização tanto das esferas íntima, privada e subjetiva do colecionador quanto da própria coleção como reflexibilidade. Jogo irreconciliável de opacidade e transparência que aponta a obra de arte como um dos itens de ficcionalização e de deslocamento do imaginário da própria prática colecionista, bem como de seu dispositivo imagético. Ao distender a imagem-tempo e a imagem-movimento, esticamos o ritmo com que enxergamos o objeto, constituindo e remontando uma manifestação particular que preserva a tensão e direciona o olhar para além dele. Entendendo, portanto, a prática da coleção não só como espaço de consagração, mas, também, como espaço de disputas, atritos e rupturas, este vídeo nos questiona: quais os possíveis caminhos para se compor narrativas sobre a complexidade do fenômeno do colecionismo como prática social no trânsito contemporâneo?

Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral, Opacidade & transparência (2020), Vídeo, Dispositivo Portátil, Dimensões Variáveis, Widescreen [cor] 3'00''. Exposição Continuidades: Mostra de Arte Contemporânea no Espaço On-line. Galeria de Arte e Pesquisa (GAP-UFES). Vitória/ES. Brasil.

ISTO NÃO É UM QR CODE (2019)

Esse projeto, iniciado em 2019 e com finitude indeterminada, é um convite inspirado na série La Trahison des Images (A Traição das Imagens) de René Magritte, com sua famosa obra Ceci n'est pas une Pipe// Isto não é um Cachimbo. "Isto não é um QR CODE" é uma variação do projeto, especialmente concebido para integrar a EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL "ESTE LIVRO É-// THIS BOOK IS-// ESTE LIBRO ES-" , prevista para ser realizada em 2021, no Centro Cultural SESC Glória, Vitória/ES, com curadoria de Monica Leão. Tendo como ponto de partida o tema da exposição, cujas reflexões giram em torno tanto do ex-libris (expressão que significa, literalmente, "dos livros de" ou "faz parte de meus livros", empregada para associar o livro a uma pessoa ou a uma biblioteca), quanto de sua técnica tradicional de produção, a saber, a gravura, o trabalho explora não só outras variações do que poderia ser hoje utilizado como dispositivo capaz de demarcar a propriedade de algo, como, também, busca tensioná-las a partir da seguinte questão: como atribuir a propriedade de algo que pertence ao domínio público?

Lindomberto Ferreira Alves, Isto não é um QR CODE (2019), Gravura em carimbo de silicone sobre papel impresso (díptico), 9,5 x 15 cm.

FABULAÇÕES URBANAS (2019)

O trabalho emerge de uma investigação voltada à cartografia de experiências artísticas, culturais, disciplinares, interdisciplinares, multidisciplinares sobre o espaço urbano e as questões de habitabilidade desenvolvidas por arquitetos na fronteira entre arte e arquitetura. Interessado no caráter político da arte e de uma arquitetura "menor", o ponto de partida do trabalho foram as diferentes relações intersubjetivas em contextos que privilegiassem estratégias artísticas de intervenção contra o uso homogêneo dos espaços públicos, levando à fabulação de modelos sociais alternativos, com base no cotidiano e na vivência partilhada da cidade. Desse modo, inspirados na literatura fantástica de Jorge Luis Borges e Italo Calvino, e à luz do conceito de profanação, de Giorgio Agamben, bem como do conceito de literatura menor de Gilles Deleuze e Félix Guattari, foram concebidas e inseridas no tecido urbano da cidade de Vitória/ES uma série de instalações e intervenções urbanas que tiveram como intencionalidade explorar a alteridade das experiências urbanas, em busca do agenciamento de possíveis outros modos estéticos de subjetivação na/da cidade.

Lindomberto Ferreira Alves, Fabulações Urbanas (2019), Lambe-lambe (impressão em acabamento fosco em papel de gramatura 75g/m²), 68 x 90 cm. Exposição Coletiva CRTL ZIL | Davisuais 2019. Galeria de Arte e Pesquisa (GAP-UFES). Vitória/ES. Brasil.

FURTACOR (2018)

Motivado pelas investigações dos arte-educadores, a alemã Carmen Mörsch e o uruguaio Luis Camnitzer, o trabalho problematiza o lugar ocupado pelo sujeito lançado à condição de mediador cultural, estabelecendo, pelo viés estético, uma autocrítica sobre os processos em arte-educação explorados pelas instituições de cultura na contemporaneidade. A obra se consistiu na inserção de um objeto - uma cadeira reversível para uma escada - posicionado no espaço contíguo à janela localizada a frente da escada de acesso para o espaço expositivo do Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). A janela permaneceu aberta durante todo o período de duração da exposição, com a cadeira disposta entre suas folhas, inicialmente com seu encosto junto à parede. Ao chão, uma faixa de sinalização foi fixada, estabelecendo, assim, um perímetro no qual a proposta se realizou. Dispersas, dentro e fora do espaço expositivo, foram distribuídas frases, impressas em plotagem de tipo recorte, e que só puderam ser lidas com o auxílio de dois binóculos, colocados à disposição do espectador-participador sobre o acento da cadeira. Junto aos binóculos um mapa, que orientou o fruidor da obra acerca da localização das frases, cuja narrativa, lida em sequência, conduziria à reversão da cadeira em escada. Assim, a obra buscou, por meio de uma experiência temporária de inflexão plástica, poética e estética, visibilizar através do corpo do espectador-participador os possíveis que orbitam o imaginário da prática da mediação - sempre cambiante, cuja abordagem é alterada conforme o sujeito que a ocupa.

Lindomberto Ferreira Alves & Amanda Amaral, Furtacor (2018), Objeto/Instalação (cadeira reversível para escada em madeira, binóculos, plotagem em tipo recorte, faixa de sinalização e mapa instrutivo), dimensões variáveis. Exposição Coletiva MERGULHO_estratégias para emergir. Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). Vitória/ES. Brasil.

OUTRAS FICÇÕES URBANAS (2017)

Para Federico Fellini, com amor. Até que ponto os cartões postais de cidades desempenham um papel importante na restauração de suas (nossas) representações mnemônicas? Partindo do conceito de montagem, inicialmente proposto pelo alemão Aby Warburg, e mais recentemente recuperado pelo francês Georges Didi-Huberman, o trabalho propõe a ficcionalização de outras narrativas imagéticas para as cidades, por meio da montagem de diferentes padrões de significações que versam sobre nossa experiência com o "real".  Para tanto, tendo como base recortes de cartões postais de diferentes cidades, as quais nunca conheci, me aproprio do realismo fantástico presente em fragmentos dos pôsteres dos filmes A Estrada (1954), As Noites de Cabíria (1957), A Doce Vida (1960)Roma (1972), de Federico Fellini, e estabeleço um potencial diálogo para ativar as faculdades e limitações da memória que habitam as frestas desses souvenirs. Busca-se com essa série estabelecer uma inflexão poética e estética sobre o conflito entre as imagens e a possibilidade da construção de conhecimento sobre elas. 

Lindomberto Ferreira Alves, Outras Ficções Urbanas #1 (2017), Colagem sobre papel, 21,5 x 21, 5 cm; Outras Ficções Urbanas #2 (2017), Colagem sobre papel, 23 x 12 cm;  Outras Ficções Urbanas #3 (2017), Colagem sobre papel, 23 x 12 cm; Outras Ficções Urbanas #4 (2017), Colagem sobre papel, 23 x 12 cm; Outras Ficções Urbanas #5 (2017), Colagem sobre papel, 23 x 12 cm.

CORPOS E CENÁRIOS URBANOS (2016-)

O trabalho tem como base, principalmente, a filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, no livro Mil platôs (1995), bem como as questões suscitadas pelo historiador e antropólogo francês Michel de Certeau, no livro A Invenção do Cotidiano (1980), e teve como objetivo refletir sobre as potencialidades da cartografia como método de pesquisa processual. Assim, realizo alguns registros fotográficos na cidade de Vitória/ES, através de uma cartografia afetiva, interessada na captura dos rastros das ações dos citadinos pelos espaços públicos e na sua capacidade de atualização e composição de novos cenários dentro das configurações espaciais estabelecidas pelo desenho urbano. Na decupagem dessas imagens seria possível aferir diferentes grafias dos corpos, e nela diferentes modos como a cidade acolhe os corpos e, em contrapartida, como que os corpos também acham uma brecha para estar em meio às cidades no contemporâneo.

Lindomberto Ferreira Alves, Corpos e Cenários Urbanos - Anatomias (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Silhuetas (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Apropriações#1 (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Apropriações#2 (2016), Fotografia (impressão em finearte), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Apropriações#3 (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Apropriações#4 (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Apropriações#5 (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm; Corpos e Cenários Urbanos - Apropriações#6 (2016), Fotografia (impressão em fineart), 42 x 31,5 cm.

ARENA COMUM (2015-2016)

Trata­-se de um dos projetos desenvolvidos em parceria com o Célula EMAU (Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo), do DEA-UFES. Partindo da noção de arquiteturas de espera, desenvolvida por mim no ano de 2013, o projeto dialoga tanto com a discussões em torno dos termos comum e multidão - propostos por Antonio Negri e Michael Hardt -, quanto com a noção de modelo agonista de constituição da esfera pública, tensionada por Chantal Mouffe. Tratam-se de três instalações em bambu, todas produzidas regime de mutirão em dois dos campus universitários da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Embora o gatilho para realização dos trabalhos tenha sido a produção de um dispositivo que pudesse acomodar o evento "Worshop Mapeando o Comum na Grande Vitória­/Es" - organizado pela Profª. Drª. Clara Luiza Miranda (DEA-UFES), em 2015 -, essas instalações foram além. Visaram a ativação dos espaços livres comuns do campus universitário, como espaços em que o convívio com o outro, o inteirar-se dele na experimentação do espaço, promovessem o tensionamento de outros modos de apropriação do espaço público e de interação com a esfera pública. Seu processo de criação coloca a obra como um laboratório de experimentação e de experiências discursivas, poéticas e sociais, a fim de observar como os diferentes sujeitos se apropriam, usam, descartam significados, objetos, espaços e situações. 

Lindomberto Ferreira Alves, Luiz Paulo Comério & Thairo Pandolfi, Arena Comum - Centro de Artes (2015), Site-specific (bambu, borracha de pneus, paletes e elastano), 10 m (diâmetro) x 4,5 m (altura). Centro de Artes, da Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória/ES. Brasil; Arena Comum - CEUNES (2015), Site-specific (bambu, borracha de pneus, paletes e elastano), 10 m (diâmetro) x 4,5 m (altura). Centro Universitário Norte do Espírito Santo, da Universidade Federal do Espírito Santo. São Mateus/ES. Brasil; Arena Comum - Restaurante Universitário (2016), Site-specific (bambu, borracha de pneus, paletes e elastano), 10 m (diâmetro) x 4,5 m (altura). Centro de Artes, da Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória/ES. Brasil.

PROFANAÇÕES URBANAS (2014-)

Trata-se de uma série de intervenções urbanas desenvolvidas em parceria com o psicólogo Victor Johne Freitas Pacheco, inspiradas na noção de arquitetura-ação, do arquiteto espanhol Manuel Gausa; na ideia de corpografias urbanas, da arquiteta urbanista brasileira Paola Berenstein Jacques; bem como nos conceitos de profanação, contemporâneo e qualquer, do filósofo italiano Giorgio Agamben. Os trabalhos fruto dessa pesquisa, intitulados Fabulações Urbanas (2014), Abrigo de Balões (2014), Cama de Gato (2015) e Lugar Para Ventilar Ideias (2015) nascem da necessidade de se discutir e (inter)atuar nas fronteiras entre arte, corpo e cidade, por meio de experiências produtoras de singularidades que problematizassem não só os processos de produção do fenômeno urbano contemporâneo, como, também, a produção de modos de subjetivação da vida na contemporaneidade. Partindo dessa premissa e, com base nas questões colocadas pela crítica institucional, em ambos os campos, as intervenções buscaram ativar, gerar, produzir, expressar, mover, intercambiar e relacionar acontecimentos e espaços, propiciando interações entre as coisas mas que intervenções nelas mesmas, a fim de valorizar as dimensões ética, estética e política dos agenciamentos que constituem as ações coletivas nos ambientes.  

Lindomberto Ferreira Alves & Victor Johne Freitas Pacheco, Profanações Urbanas - Abrigo de balões (2014), Intervenção urbana, dimensões variáveis; Profanações Urbanas - Fabulações Urbanas (2014), Intervenção urbana, dimensões variáveis; Profanações Urbanas - Cama de gato (2015), Intervenção Urbana, dimensões variáveis; Profanações Urbanas - Local para ventilar ideias (2015), Intervenção Urbana, dimensões variáveis.

DEVIR-URBANO (2013) 

O trabalho emergiu de uma investigação interessada em problematizar a disseminação, ainda recorrente, de modos hegemônicos de pensar e fazer cidades, e da incapacidade dos procedimentos usuais de projetos urbanos incorporarem a complexidade da cidade contemporânea em sua alteridade. Na esteira dessas questões, cujo eco ganha ressonância no campo teórico-metodológico das reflexões de James Clifford, Michel Agier, José Guilherme Cantor Magnani, Milton Santos, Doreen Massey, entre outrxs, deslocou-se a atenção para a gestualidade e corporeidade dos citadinos - para os muitos e múltiplos praticantes ordinários das cidades, em especial, aos que são obrigados a criar para si sua própria existência no urbano. Não por acaso três vendedores ambulantes da cidade de Salvador/Ba foram os protagonistas e interlocutores desse projeto - três sujeitos que por meio de suas engenhosas táticas de apropriação do espaço público instrumentalizam o movimento para o desvio dos pré-determinismos do desenho urbano, interferindo, atualizando e ressignificando os espaços públicos a partir de suas experiências dissensuais com a cidade. Nesses termos, a narrativa visual produzida nesta série tensiona justamente a potência profanatória do desvio contida na gestualidade e na corporeidade desses três corpos. E não apenas como tática de resistência à (re)produção de consensos sobre a cidade, mas, também, como procedimento de apreensão e intervenção da/na cidade. Nesses termos, a narrativa visual produzida procurou destacar a potência do desvio não apenas como tática de resistência à (re)produção de consensos sobre a cidade, mas, também, como procedimento de apreensão e intervenção da/na cidade. Indo além, poderíamos nos perguntar: não seriam essas sobrevivências, esses pequenos lampejos intermitentes que resistem e existem apesar de tudo, que conteriam no final das contas os germes de algo por vir, de outros devires possíveis?

Lindomberto Ferreira Alves, Devir-urbano - Seu Antônio do café (2013), Colagem sobre papel/Fotografia (impressão em fineart), díptico, 84 x 88,5 cm; Devir-urbano - Alex, o baleiro (2013), Colagem sobre papel/Fotografia (impressão em fineart), díptico, 84 x 88,5 cm; Devir-urbano - Seu Antônio do picolé (2013), Colagem sobre papel/Fotografia (impressão em fineart), díptico, 84 x 88,5 cm.

AÇÕES

SESSÕES ONLINE DE LANÇAMENTO DO LIVRO RUBIANE MAIA: CORPO EM ESTADO DE PERFORMANCE (2021)

Esta foi uma das ações do Projeto "Livro Rubiane Maia: corpo em estado de performance", e realizadas com recursos da Lei Aldir Blanc, via Edital de Seleção de Projetos e Concessão de Prêmio Artes Integradas 2020, por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura - ES. A 1ª Sessão Online de Lançamento do livro "Rubiane Maia: corpo em estado de performance", escrito por Lindomberto Ferreira Alves, ocorreu no dia 15 de março de 2021, as 16 horas, e o debate público contou com as falas dos professores doutores do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGA) da Ufes, Aparecido José Cirillo e Ricardo Maurício Gonzaga, juntos à professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens da UFJF, Rosane Preciosa Sequeira. Já a 2ª Sessão de Lançamento Online do livro "Rubiane Maia: corpo em estado de performance", ocorreu no dia 29 de março de 2021, também as 16 horas, e o debate público contou com as participações da artista multimídia Rubiane Maia; do cineasta, escritor e professor do curso de Cinema da Ufes, Erly Vieira Junior; e da artista, pesquisadora e professora aposentada da Ufes, Leila Domingues. 

Lindomberto Ferreira Alves (org.). Sessões online de Lançamento do Livro "Rubiane Maia: corpo em estado de performance", de Lindomberto Ferreira Alves. 2021. [DEBATE PÚBLICO ON-LINE]. Projeto LIVRO RUBIANE MAIA: CORPO EM ESTADO DE PERFORMANCE & Lei Aldir Blanc 2020 - SECULT/ES. Vitória/ES. Brasil.

CICLO DE FORMAÇÃO ONLINE EM PERFORMANCE (2021)

Além de suprir a carência formativa e discursiva voltada ao campo da performance, o Ciclo de Formação Online em Performance buscou capacitar e ampliar o repertório poético, crítico, discursivo, teórico, técnico e prático de pessoas interessadas nessa linguagem. Além, é claro, de instaurar um espaço de reflexão e de compartilhamento interdisciplinar de saberes sobre os corpos e suas interlocuções com o campo de efetuações éticas, estéticas e políticas da performance. O ciclo ofertou 30 vagas, e se constituiu de quatro encontros, um por semana, acontecendo nos dias 06, 13, 20 e 27 de março de 2021, das 15h às 16h, com supervisão de Lindomberto Ferreira Alves. A metodologia e os conteúdos abordados em cada encontro ficaram a cargo de quatro artistas performers capixabas, cada une responsável por um eixo da formação. O primeiro encontro, no dia 06 de março, foi ministrado pele artista, performer, pesquisadore e professore Reyan Perovano. Enquanto o segundo, no dia 13 de março, teve a condução da artista, performer e educadora social Rebeca Ribeiro. Para o terceiro dia de formação (20/03) foi a vez do artista, performer e cineasta Diego Nunes ministrar o ciclo. Com o quatro e último dia (27/03) sendo do artista, performer, arte-educador e curador independente Geovanni Lima. Esta foi uma das ações do Projeto "Livro Rubiane Maia: corpo em estado de performance", de autoria de Lindomberto Ferreira Alves, e realizada com recursos da Lei Aldir Blanc, via Edital de Seleção de Projetos e Concessão de Prêmio Artes Integradas 2020, por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura - ES.

Lindomberto Ferreira Alves (org.). Ciclo de Formação online em Performance, com Reyan Perovano, Rebeca Ribeiro, Diego Nunes e Geovanni Lima. 2021. [FORMAÇÃO ARTÍSTICO-CULTURAL ON-LINE]. Projeto LIVRO RUBIANE MAIA: CORPO EM ESTADO DE PERFORMANCE & Lei Aldir Blanc 2020 - SECULT/ES. Vitória/ES. Brasil.

LIMBO | LABORATÓRIO DE INVESTIGAÇÕES DE PROCESSOS CRIATIVOS EM TEMPO PANDÊMICOS (2021)

Com condução de Amanda Amaral e LindombertoFerreira Alves, e com foco em artistas visuais de todas as idades e dos mais diversos territórios, este workshop teve como ênfase a investigação, a discussão e a reflexão de novos procedimentos criativos explorados no âmbito das artes visuais durante a pandemia provocada pela COVID-19. O objetivo foi estabelecer um espaço coletivo e transversal de compartilhamento de questões ético-estéticas e sócio-políticas que perpassaram, e ainda perpassam, os processos de criação agenciados, desde março de 2020, por nove artistas que, inscrites e selecionades, compuseram o grupo focal do workshop: Igor Degobi (RJ/ES), João Vitor Soares (ES), Josélia Andrade (BA/ES), Mara Perpétua (ES), Maria Ramos (MG/ES), Marina da Silva (SP), Pedro Lima Santos (SP), StéfaniAgostini (RS) e Vivian Siqueira (ES). Es artistas participaram de um processo formativo constituído por três encontros online (com duração média de duas horas cada) - realizados nos dias 13, 20 e 27 de fevereiro de 2021 - voltados ao diálogo, ao convívio e, sobretudo, à troca de experiências sobre as táticas poéticas estabelecidas por esses artistas para agenciar sua produção e a circulação dos seus trabalhos em tempos pandêmicos. Assim como para o aprofundamento prospectivo de seus desdobramentos criativos, no que tange à interlocução dos trabalhos produzidos neste período, com as instâncias da pesquisa, da crítica, da curadoria e da arte-educação. Este workshop foi uma realização do duo FURTACOR (Amanda Amaral e LindombertoFerreira Alves), e financiada com recursos do Edital de Chamamento Público nº 005/2020 de Seleção de Proposta de Apresentação e Formação Artístico-Cultural -Lei Aldir Blanc | Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória (SEMC-PMV).

Amanda Amaral & Lindomberto Ferreira Alves. Workshop LIMBO | Laboratório de investigações de Processos Criativos em Tempos Pandêmicos. 2021. [FORMAÇÃO ARTÍSTICO-CULTURAL ON-LINE]. Lei Aldir Blanc & FUNCULTURA-SEMC/PMV. Vitória/ES. Brasil.


VII COLARTES: HÁ UM LUGAR PARA A ARTE? (2019)

Com curadoria de Lindomberto Ferreira Alves, Jessica Dalcolmo, Rosemery Casoli e Paulo dos Santos Silva, o VII COLARTES: Há um lugar para a arte? foi realizado na Cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo, de 20 a 22 de agosto de 2019, nas dependências do Centro de Artes, Cemuni IV, da universidade. A finalidade do evento foi de estabelecer a visibilidade dos estudos, pesquisas e produções, sendo ele de graduandos, alunos de iniciação científica, mestrandos, doutorandos, professores, artistas e demais pesquisadores que contribuam no campo das artes. O evento contou com a participação de conferencistas de diferentes Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo e de outras instituições do país para a promoção do intercâmbio de saberes. Assim, a proposta para essa edição consistiu em potencializar as investigações e conhecimentos sobre as práticas e multiplicidades artísticas, ressaltando abordagens teóricas e poéticas que proponham ampliar e multiplicar as formas de discutir a arte na atualidade.

Lindomberto Ferreira Alves, Jessica Dalcolmo, Rosemery Casoli, Grabriela Ferreira Lucio e Paulo dos Santos Silva (org.). VII COLARTES: Há um lugar para a arte?. 2019. [COLÓQUIO DE PESQUISA EM ARTE]. Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória/ES. Brasil.